Hoje é domingo e eu estou confuso por demais. Não
sei de todo quem sou.
De todos os quatro; Mello, Joaquim, Carrapato e
Felizardo, quem é o “eu”? Quem de entre os quatro criou quem? Quem foi criado?
Por quem?
O Felizardo não é definitivamente um criador. É
pouco mais que uma anedota, nasceu certamente numa sexta-feira treze e deu
isto. Parece ser aquele filho que rouba para drogas, que envergonha o pai. Anda
por aí, porque não se pode matar um filho, é antinatural. E é impossível “descria-lo”, enquanto não se identificar
o autor de tal desvario. Está fora de hipótese, arruma-se.
O Mello é esperto, pode ser ele? Assina um blogue,
mas parece ter mais “pose” que
conteúdo. Muito daquilo de que ele se ufana, é escrito pelo Joaquim e pelo
Carrapato. Só com uma grande doze de boa vontade, o imaginaria a criar
personagens, principalmente estas duas últimas que claramente lhe são
superiores. Descartá-lo-ia como criador. Mas será criatura de quem?
O Joaquim já é uma hipótese mais viável. Não me
admiraria se fosse o criador do Mello, parece ter-lhe emprestado
características; ateu, livre-pensador, desalinhado de esquerda, e talvez sem
querer, um pouco de vaidade e convencimento. Também me parece possível que num
momento de saudável loucura tenha criado alguém tão estapafúrdio como o
Felizardo. Já me causa espécie, ver o Joaquim como criador do Carrapato. É
demasiado convencido para deixar viver alguém capaz de lhe fazer sombra.
O Carrapato é de todos o mais consistente. Homem de
uma enorme sensatez, apaixonado, tem contra si a falta de cultura livresca para
criar o Mello e o Joaquim. Não fora isso, eu apostaria todas as fichas nele.
Mas é demasiado sensato para a “aventura”
chamada Felizardo. Fora isso, seria o criador mais provável. A melhor aposta.
Face ao exposto e pesando os prós e os contras,
inclino-me para a hipótese de criador ser o Joaquim. Ele tem um grande motivo.
Face à sua circunstância, criou os outros e deu-lhes asas, pô-los a voar. Mas,
sendo assim, cometeu um erro, que não parece possível nele. Esmerou-se demais
no Carrapato. Corre o risco de a Criatura superar o Criador e ainda ter
desgostos.
Será mesmo assim? Não sei. Sei que estou preso num
labirinto de suposições e perguntas. Apetece-me pedir a alguém que agarre na
ponta dum fio e me venha libertar. Mas libertar quem, se eu não sei quem sou…?
(especulações de uma noite de insónia)
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