quarta-feira, janeiro 8

In ARRUMADOR DE PALAVRAS «O Livro»



Um poema em quintilhas, não muito habitual em mim. O texto retrata uma discussão com alguém que me tenta controlar. Se me perguntarem quem? Sinceramente, não sei.

Não é fácil

Não é fácil o amor, é ponto assente
Trazer um coração fora do peito
Quem diz o contrário é porque mente
Não sabe quão difícil é viver carente
E não poder sonhar com outro jeito

O teu corpo é rio cristalino que não corre
Fica preso nos meus braços qual represa
Que de tanto aquietar-se quase morre
Mas depois vibra, grita, treme e escorre
Age consoante o que lhe pede a natureza

Se te estou a prender o meu perdão
Se sou assim e não consigo mais mudar
Que as pessoas nunca negam o que são
Para mim mudar agora seria em vão
Eu só entendo esta maneira de te amar

terça-feira, janeiro 7

BOA TARDE



Não tenho nada que escrever, nem nada para contar.
Venho por hábito, para cumprir promessa. Mas não trago poesia nem prosa, não trago mesmo nada de valor, só o meu pensamento que não consente em parar.
Venho sempre na esperança que a escrita se acenda, mas fico-me na esperança, por hoje.


OUTONO (Micro Conto)

A bela índia, tinha os mais lindos olhos castanhos rasgados, e um bouquet de flores silvestres na boca de veludo. E o poeta, olhos tristes e intensos, resquícios de décadas e décadas de espera e solidão. Encontraram-se, por acaso, numa tarde quente de verão, quase Outono das suas vidas. Olharam-se e reconheceram-se. Tinham chegado ao fim da sua longa procura do outro.
Depois, uniram-se num abraço tão intenso, que expulsou o mar.

J A G – 25/09/13

segunda-feira, janeiro 6

O REGRESSO DO PLEBEU



Não sendo um homem de muitas contradições, sempre tive uma certa queda pelo contraditório. Desde que me conheço, sempre fui do contra, a velha máxima anarquista, “hay gobierno? Soy contra”, assenta-me como uma luva. Eu, anarquista, me confesso.
Nenhum dia mais propício para o meu regresso, que o Dia de Reis, eu que sou o mais povo de todos os plebeus.
Não tenho estado bem, em termos de saúde. Todos os anos abuso do meu período mais criativo, (Junho a Outubro), trabalho em demasia e todos os anos me ressinto.
Vou voltar. Não direi que o faça em força, mas aos poucos, como a saúde mo permita.

Volto com um poema, (perdi o medo da designação), que poucos conhecem, nunca foi divulgado no facebook. Abre e dá título, ao meu livro brasileiro.

Ø EU, SINCERIDADE

AMO-TE, só com o meu saber empírico
Porque amar, deve aprender-se a dois
E eu, sempre segui por uma estrada solitária

AMO-TE, com alguns laivos de mágoas
Porque o espelho que me davam, só refletia incapacidades
Sem nunca exaltarem a mais pequena das minhas poucas qualidades

AMO-TE, com a angústia desta minha idade
Porque aos trinta anos, já se tinham ido todas as ilusões
E aos quarenta, os desejos mais secretos, estavam esquecidos

AMO-TE, com um terrível medo de mim
De não conseguir ser o homem que esperas
O que satisfaça os anseios de uma mulher como tu, perfeita

AMO-TE, num incomensurável pavor de te perder
Por ter as mãos vazias, sem nada palpável a te oferecer
E braços demasiado fracos, para te poder prender à minha vida

quinta-feira, janeiro 2

O LIVRO



In ARRUMADOR DE PALAVRAS «O Livro»


 Mais uma curta história das minhas, curtas e incisivas, que fala de gente, gente como eu gosto, pessoas que não só gostam, mas gostam de gostar. Gente de coração grande.

Pensamentos

Há dias a esta parte parece-me que estou um pouco abestalhado, bem, um pouco mais do que seria normal.
Sinto-me estar desligado de mim, não consigo acertar o “eu” que pensa com o que arruma palavras, o que é dramático.
Quando tal acontece, demasiadas vezes para meu gosto, deixo de escrever. Fico incapaz de enfileirar meia dúzia de palavras com sentido e eu sem escrever não vivo.
Então “faço filmes”. Na minha cabeça é o fim, perdi o jeito de escrever os meus desconchavados textos e fujo do word a sete pés.
Hoje obriguei-me a vir aqui porque tenho uma curta história que não quero calar.
No último sábado recebi uma visita do passado, de há trinta e cinco anos, imaginem!
Antiga colega, só conhecida na altura e irmã de uma amiga, as redes sociais aproximaram-nos e tornaram-nos amigos de conversas engraçadas.
Trouxe-me algo inesquecível, a sua presença, o “estou aqui amigo” e a certeza de que como eu, é uma pessoa que gosta de gostar e isso não tem preço.
Como apêndice, veio uma jarra de vidro azul que cheia de flores me alegra e perfuma.

domingo, dezembro 22

MENSAGEM DE NATAL



Há dias, fizeram-me uma proposta a que eu julguei não ser capaz de corresponder, escrever uma Mensagem de Natal. Mas, como não fui nunca de desistir sem tentar, aqui fica.

Natal é …

Natal é luz, calor, decoração. Numa tentativa de escapar ao cinzentismo da época, terão nascido as hoje imprescindíveis luzes e decorações dos aglomerados populacionais e o tronco, que todas as casas queimam na lareira, uma maneira de fugir aos rigores do Inverno. Mas luz, a verdadeiramente importante, é a que se pode beber nos olhos de uma criança ao abrir o tão ansiado presente, ou o avivar do olhar dum idoso na paz de toda a família reunida à volta da mesa.

Natal é gastronomia, que para nós antigamente sempre de míngua à mesa, era a época de comer bem, com alguns dos exageros que a vida não permitia noutros tempos. As heroicas mulheres alentejanas, com os nossos produtos, sempre fizeram maravilhas. Produtos tão pobres, como o nosso trigo feito farinha, os ovos, o mel, o grão, a batata, o mogango e o nosso azeite único, tornam-se dignos de tanta riqueza, que adquiriram a honra de subir à mesa do pobre.

Natal é, acima de tudo a festa dos afetos, do aconchego, de estar presente. Quem dera que esta sala fosse tão grande, para que num mundo perfeito, como se quer nesta quadra tão especial, nela tivessem lugar à mesa todos os que estando ausentes, são presença viva nos vossos corações, tão precisados de atenção e carinho, que na correria diária é humanamente impossível proporcionar-vos, apesar do estoico esforço e boa vontade.

Natal é música, (cantes de Natal sempre belos), fé, (para os crentes), e solidariedade para os homens de boa vontade. É porta aberta para quem queira entrar e pão e vinho sobre a mesa, como diz a canção, dividir o pouco por muitos, traz a gratidão de quem recebe e uma imensa felicidade a quem partilha, porque só o dar e o dar-se é melhor que receber.

Natal é simplicidade, gestos puros, olhar o outro de braços e coração abertos, como se o próximo fosse aquilo que é, nosso irmão. Mas, o ideal seria conseguir superar a época e fazer o Natal transpor o final do ano e prolongar-se, fazendo de todos os dias a festa dos afetos. Se Natal é quando um homem quiser, quem o impede de o querer todos os dias? Um querer de coração, pode fazer a Multiplicação do Amor.

Natal é, para os que aqui vivemos como uma família, mesmo ansiando mais saúde, termos que aceitar viver com a que temos, viver um dia de cada vez, e cada Natal como cada dia. E amanhã, no próximo Dia de Natal, estarmos todos por cá.

Natal é hoje, para quem continua esta aventura de viver.