quarta-feira, abril 24

PARA MEU FILHO


Como nascente de um rio, que rompe a rocha com a sua força e querer de sair da prisão assim tu rompeste a bolsa com a força das águas, onde andaste 9 meses, e nasceste cheio de vida, puro como as águas do rio quando nasce.
Dor? Qual dor? Alegria, sim a dor esquece quando se tem nos braços uma criatura gerada em nosso ventre, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue.
Mais um! Disseram algumas pessoas, foste o segundo de quatro, (a quinta não veio deste ventre), mas o mais precioso de todos.
O teu coração é tão grande, mas tão grande que abraça Céus e Terra.
Sempre assim foste, cheio de força física, bondade feita gente, sem distinções de raças ou religiões.
Tiveste teus desgostos mas… quem os não tem? Mas sabes fazer das fraquezas forças e para ti não há elites, todos são GENTE.
Tu, tu és gente que sabe o que quer mas, como tua mãe, o coração nos trai temo-lo demasiado grandes.
50 ANOS! Sempre viveste em mim.
Eu tenho-te acompanhado com palavras, incentivos, carinho e doação de mim mesma.
Tens dois rebentos na tua árvore, que nasceu da minha raiz, trazem nas suas veias a seiva pura e cristalina, os dois. Corações iguais ao do Pai e aos de suas mães.
Mas melhor preparados para a vida, não são de levar e ficar, explodem contra a injustiças (como tu) mas têm mais força são menos de levar e dar a outra face.
Estamos de parabéns
Eu, por te ter deixado romper este rio de águas claras, que vão encontrando rochas mas eu, eu as vou avançando e vencendo.
Tu por teres tido a força suficiente para nascer e correr como a água de um Rio pelo Mundo fora deixando atua estrada bem marcada…

Beijinhos da tua mãe que te ama
Filho do meu coração.

Maria Helena Ribeiro



CINCO DEDOS


Toda a mão, que é normal, tem cinco dedos, nada mais…
De todos o mais curto, o polegar, o dedo de oposição…
Depois vem o que indica e acusa, folheia livros e jornais.
O do meio, ofensivo, bem usado pode aliviar a pressão.
O anelar, que enfeitado, faz um homem infeliz.
E o que só tem a unhaca grande, para limpar o nariz.

- j a godinho - 


(uma brincadeirinha, nada mais)

LAREIRA



Sentados à lareira em bancos de pau feitos, meros troncos que se juntavam e serviam.
Era uma roda de bancos à volta daquela lareira que, já pouco existe, a não ser o local. Agora, remodelado por uma linha qualquer ergonómica e estética para ser uma cozinha. Antes, grande, ampla e viva. Agora, clara, pequena e morta.
Jaz sem vida aquela cozinha, onde se ouviam histórias da vida, do cultivo da monda, das colheitas e do tempo que, sempre ou nunca ajudava, ou, se ia ter uma boa colheita por o tempo ter sido bom.
Tempos idos e bem garridos foram os que o calor de agora o frio daqueles tempos apagou!
Dos risos soltos nada sobrou, até o eco, o vento levou para terras distantes e, desabitadas, onde o povo gemeu e chorou, por não ter condição, por ser um ser farto da solidão. E, por ambição, partiu, em direcção, não de si, mas da ilusão de uma vida digna, de labuta honrada que deixa a pele estragada, os ossos feitos em nada e, o coração despedaçado.
Dessa lareira, nem a pedra sobrou! Foi dada para abate triunfal de uma sociedade restaurada por homens sem coração porque, a ambição chama mais alto que qualquer clamor apaixonado, clarinete desenfreado e, sem horas para nada. Eram tempos que o tempo dependia do tempo que se tinha e havia.
Sobrou a saudade do nada que antes se tinha e, se tem medo de aceitar... O amor pela lareira que reunia a família inteira.

Matilde Rosa


terça-feira, abril 23

TU, MIÚDA



Que deuses, te fadaram tão perfeita
Quem foi que te cumulou com tal beleza
Que bela obra-prima te fez, a natureza
Que só por existir, todo o mundo enfeita

Que demónios te levaram do meu mundo
Quem te obrigou a ir nascer n’outra cidade
Quem me roubou todo o direito à felicidade
De te ter entre os meus braços, um segundo

Que sábio ou louco desenhou, o nosso fado
Quem terá decretado para nós, esta lonjura
Quem nos fez ter uma vida, em separado

Quem foi que proibiu, estarmos lado-a-lado
Quem fez desta minha vida, tão vil tortura
De eu ser sempre o feio sapo, não beijado.

- j a godinho -

segunda-feira, abril 22

DESAFIO.



Ontem pediram-me para escrever um poema. Nunca fui muito de escrever por encomenda, mas como gosto de desafios, aceitei. Aqui fica, não estará certamente muito inspirado, mas custou-me vinte minutos de transpiração.

DOCE NANDA

Nanda, Gernanda, teu nome é invulgar
Menina, num corpo de mulher madura
Nessa tua saga incessante de procura
Conjugar devidamente o verbo amar

Bem quisera eu um dia te encontrar
Em beco iluminado, ou numa rua escura
Dar sentido a esta ansia, esta loucura
És a mulher que eu sempre quis achar

P’ra dar um fim a esta minha solidão
Serias a escolha óbvia, a derradeira
Tu, um sonho lindo, uma louca ilusão

A minha outra alma, a doce brasileira
De que me vale a mim pedir a tua mão
Se o que quero mesmo é ter-te inteira

- j a godinho -