segunda-feira, setembro 26

Repzigue


Sobre o mote “vou escrever para ti”

Eu hoje vou escrever para ti, amiga
Sobre a história de que penso, já falei
Uma amizade, em que um dia tropecei
Que sendo recente, me parece tão antiga

Uma relação, só por acaso acontecida
O ter-te encontrado sem nunca procurar
Foi fruto de um incidente bem vulgar
Que entraste para ficar na minha vida

Em pouco tempo descobrimos ser normal
Conversar, trocar ideias, ser confidente
Falar sobre tudo, da nossa vida pessoal

Sem ter medo dos ouvidos de outra gente
Ter do outro lado, uma pessoa excepcional
Bonita, meiga, doce, - estou tão contente.

domingo, setembro 25

Receitas da avó velhinha

AÇORDA ALENTEJANA

Ingredientes - 1 molho de coentros (ou um molho pequeno de poejos ou uma mistura das duas ervas), 2 a 4 dentes de alho, 1 colher de sopa de sal grosso, 4 colheres de sopa de azeite, 1,5 L de água a ferver, 400 g de pão caseiro (duro), 4 ovos.

Modo de preparação:
Pisam-se num almofariz, reduzindo-os a papa, os coentros (ou os poejos) com os dentes de alho, e o sal grosso.
Deita-se esta papa na terrina ou numa tigela. Rega-se com azeite e escalda-se com água a ferver, onde previamente se escalfaram os ovos (de onde se retiraram). Coloca-se este caldo sobre o pão cortado em fatias ou em cubos. Os ovos são colocados no prato ou sobre as sopas na terrina.

SUGESTÕES Deve colocar-se apenas uma pequena quantidade de sal e um bom molho de coentros. Pode acrescentar um ovo batido á papa de tempêros antes de da água a ferver.

Dia A Dia

Hoje é domingo, não me apetece escrever nada. Há precisamente uma semana decidi tomar uma atitude drástica, se… A minha condicional aconteceu, como eu previa e eu não tive escolha.
Não foi fácil, nem está a ser, preferia não o ter feito, mas não me arrependo, voltava a decidir o mesmo hoje.
Por outro lado, a semana criativa foi muito boa, é bem verdades que as crises estimulam a criação. E como ontem escrevi dois sonetos e uns versos livres á minha maneira, hoje posso bem gozar os “rendimentos da cortiça”

Façam o favor de ser felizes.

sábado, setembro 24

Sérgio Godinho - Espalhem a notícia

Vira Tempo I

Aqui fica a resposta ao comentário de Anna Maria deixado no meu soneto “Vira Tempo”. Agarrei o último verso, “de dividirmos nossas emoções” e escrevi o que aqui vos mostro. Que estimulante é uma boa parceria.

De dividirmos nossas emoções
Cada um contribui com sua parte
E fazê-lo com engenho e arte
Faz com que, se unam corações

Vivemos separados, é real
Pelo mar outrora português
Vamos lá unir-nos outra vez
Como ousou um dia seu Cabral

Daqui destas praias lusitanas
De naus, marinheiros, caravelas
Eu que sou de terras transtaganas

E só por ordem régia entrava nelas
Te saúdo e em ti todas as Annas
Que sonham assim, respostas belas

(Joaquim Carrapato)

sexta-feira, setembro 23

Vira Tempo

O Outono entra hoje de mansinho
Acordo de manhã ‘inda ensonado
Ao som de chocalhos e balir do gado
Ali mulheres, colhem uvas para vinho

Os campos já sem rasto de verdura
Do restolho, sobejou só a memória
E sempre se repete a mesma história
Imploramos pela chuva, uma brandura

É assim, pelos campos onde habito
Primavera, verão, Outono, inverno
Num ritmo de viver, calmo e bonito

Que o tempo de mudar-se é eterno
Ficando tudo igual e em seu sítio
Num aquém Tejo, quieto e mui sereno

(Joaquim Carrapato)

quinta-feira, setembro 22

"Cem Escudos"


(esta história devia ser Um Conto, mas é tão pequena que não me atrevo a chamar-lhe mais que Cem Escudos)

Eu gosto de contar “causos”, uns de encantar, outros divertidos, tudo depende da lua que me influencia no momento. Hoje vou contar uma daquelas histórias tristes de marejar os olhos e deixar o peito em chaga.
Não vou começar por; era uma vez…, esta não é uma história qualquer, é das verdadeiras, das que eu invento. Chama-se;

A Diva e o Dildo

Ela era uma mulher afirmativa, já em menina o fora. Grávida de certezas, com o rei na barriga, soube sempre conduzir a vida alheia, a sua, perdeu-lhe o mando e ficou só. Tarde triste, uma viela fria e húmida, ela caminha com os ombros pesados de desilusão. A vida que parecera promissora em tempos idos, muito idos, tinha-se encarregado de lhe levar os sonhos; e o que restava era um futuro em que já não acreditava. Ia ensimesmada em negros pensamentos sobre o que o provir lhe reservava, quando reparou num vulto estranho perdido junto ao regato que fazia a escorrência dos beirados.
Baixou-se, num gesto automático, apanhou-o, sacudiu-lhe a água e meteu-o na mala, sem chegar a perceber porque o fez. Talvez porque a vida tinha deixado de fazer sentido e já nem os seus actos percebia.
Esqueceu o achado na mala jogada no sofá castanho da sala e dedicou-se á tarefas de mais um serão de dona de casa diligente. Tê-lo-ia mesmo esquecido, não fora a cama larga, a noite longa, e aquela nova espécie de inquietação que a solidão traz consigo e que nasce dentro das entranhas.
Correu a buscar a mala, abriu-a e retirou um pequeno estojo de couro que continha um Massajador Facial. Sorriu ante a surpresa, mas deitou-o na cama e ficou longos minutos a contemplá-lo e a pensar.
Ainda nessa noite, lavou-o, desinfectou-o, tricotou-lhe um casaquinho de lã e deixou-o na gaveta da mesinha de cabeceira.
Depois, sonhou que era seu marido e se chamava “omem”. Ela, que nunca conheceu um homem com “h”.

quarta-feira, setembro 21

A Minha Escrita

Por mim, há muito já não conto o tempo
Condenso todos dias de um porvir
Num simples fio de vida a fluir
Como por entre os dedos passa o vento

Sem lamúria, queixa fútil ou lamento
De alguém que mais não faz do que carpir
Prefiro escrever, ler, folgar, sorrir
Enquanto sentir em mim algum alento

Escrevo p’ra mim sem mais cuidar
Que não seja de fazê-lo por lazer
A ninguém mandar recados, agradar

Se alguém gostar mesmo de me ler
Vá por aí saber de mim, me procurar
E se possível, que retire algum prazer

terça-feira, setembro 20

Ventanias

Trago o vento nas palavras
Palavras que não são minhas
Que como ervas daninhas
Nascem espontâneas e bravas

Umas de raiva e compridas
Pintadas de preto e dor
Há as que passam calor
Breves, quentes e sentidas

Fujo sempre da nortada
Que chega fundo, enregela
Mal fica a noite serrada

Sou guardião, sentinela
Do sossego da manada
Até ao raiar da estrela

(Joaquim Carrapato)