domingo, maio 5

MÃE



Passaram vinte e quatro anos de quase silêncio
Eu, que tão profícuo sou e de palavras fáceis
Vejo-me na contingência obrigatória de ficar mudo
Porque as palavras ficam presas e não saem.

Estes anos todos de olhares que se perderam
Todo este imenso tempo de gestos só pensados
Vinte e quatro anos de carinhos não trocados
Foram vinte e quatro anos de saudades sufocadas

Vinte e quatro longos anos

- j a godinho 05/05/13 -

ONTEM



Eu,
Que nunca te encontrei
Perdi-me de ti, ontem,
Num dia que passou, há muito…

Num tempo,
Em que as tardes eram breves
E imensas as horas
Se estávamos separados.

Que foi que nós fizemos,
Daqueles dias de perene encantamento?
- j a godinho 04/05/13 -

58 – È isso aí «Luar dos Dias»



Um texto de 2011

É isso aí...

Há dias li numa Rede Social, que uma linda e azougada jovem, se dizia:
“A caminho de Lisboa, tralá-lá!”  
E era uma alegria só…
Veio-me à memória a cena do comboio, do filme Aldeia da Roupa Branca, onde Mirita Casimiro, (salvo erro), cantava:

“Despedi-me das ovelhas
Do meu cão
Das cabras* velhas
Do lugar onde eu nasci”

Imaginei que ela me conhecia e consegui vê-la no comboio, não com as alcofas, mas de mala muito “chique” e computador nos joelhos, a cantar…

Obviamente identifiquei as ovelhas, e como!
O cão só poderia ser eu, não mordo mas adoro ladrar ao vento.
As cabras velhas, eheheh, é batata!
E por fim, o lugar de onde se vai “raspar” logo que possa.

*Desculpem ter trocado casas por cabras, liberdades literárias”

“Ai ai ai
Nã m’importa d’ir á toa
Qu’o mê sonho é ver Lisboa
Mai’lo mar quê nunca vi…”


- j a godinho –

sexta-feira, maio 3

SE…



Se eu fosse poeta…
Inventava madrugadas nos teus olhos
Nos teus cabelos…
O cheiro intenso a maresia

Escrevia em teu sorriso, noites quentes
E no teu colo papoilas rubras ondulantes.

Pintava beijos suaves no teu ventre
E plantava flores mil, no teu regaço.

- j a godinho -

quarta-feira, maio 1

ANIVERSÁRIO

É uma sensação bonita de dever cumprido que sinto hoje.
O Crónicas de Seda, que começou como Crónicas do Planalto, faz hoje 9 anos.
Não é natural, neste mundo efémero que é a internet, esta longevidade.
Muita opinião política ou não, cobertura de eleições autárquicas.
Muita crónica e poesia, minha e de outros.
Muitos escritos, uns bons, outros nem tanto.
Muitas horas de dedicação e esforço.
Alguns erros de avaliação, como é óbvio.
Mas uma certeza garantida.
Nunca escrevi nada sem ter a convicção de estar certo.

Quantos mais anos se seguirão? Quem sabe, espero escrever amanhã.


- j a godinho -

DIA DO TRABALHADOR



Que país é este de bandeiras ao contrário? Que povo é este que pode ouvir os lamentos de um presidente que só ganha dez mil euros e não lhes consentem ouvir uma cidadã que ganha duzentos? Que canalha é esta que roubou a terra que era nossa?

Acorda Povo

Levanta-te, oh ilustre alma lusitana!
Protesta, revolta-te, que a hora é de luta.
De esganar o vampiro filho da puta,
Que promete, te mente e te engana.
           
Acordai! Bestas obedientes e insanas.
Manada apática, pobre gente estulta.
Que sem conhecer a sua força bruta,
Aguenta tanto ladrão, tantos sacanas.
           
Está na hora deste povo vir p’ra rua
E tratar de pôr um fim nesta modorra
Que a verdade está, bem nua e crua
           
Cumpriste e pagaste a tua parte. Porra!
De uma dívida que se sabe não ser tua
Mas dos que te têm roubado á tripa forra.

- j a godinho -