sexta-feira, dezembro 9

Quarto Minguante


Apartei-me para ter de ti uma outra imagem
Sigo-te á distância
Com o interesse de sempre

Podes um dia vir a ter mais outras fases
Quem sabe Lua Nova
Ou mesmo Quarto Crescente

Mas nunca mais terás honras de Lua Cheia

quinta-feira, dezembro 8

Escrevo o Fado


Este texto começou a ser escrito sem nenhuma ideia pré-definida. Tinha o primeiro verso, e mais nenhuma linha de rumo. Foi a duras penas que alinhavei as duas primeiras estrofes, depois sem quase saber como, saiu o resto. E ao ler no fim o que tinha escrito, descobri um intenso “cheiro” a fado. E chamei-lhe assim:

Fado da Espera

Estou sentado á minha porta
Numa tarde quente e morta
Tentando ver-te passar

Tu ainda não passaste
Á nossa jura faltaste
Sinto ganas de chorar

Passam minutos e horas
E tu não vens ou demoras
Fico p’ra lá de magoado

Mas é assim a minha vida
Apesar de tanta ferida
Tento cumprir o meu fado

Já lhe vou ganhando o jeito
De sublimar no meu peito
Esta dor de te não ver

quarta-feira, dezembro 7

Lua Nova

Sei que estás lá, sem te ver, só te pressinto,
Pelos efeitos que causas no meu mundo.
Trazes marés, ventos de esperança, companhia,
E um agradável sentimento de presença.

Gosto de te saber constante no meu Céu,
Ainda que ao passares na tua orbita, lua!
Escondas algumas estrelas, que são minhas.

terça-feira, dezembro 6

Soneto Inacabado II (Terminado)

Trago nos braços um enorme ramo
De rosas de cores várias e garridas
Feito de tantas juras falsas e fingidas
E no peito um esquecido “eu te amo”

Eu até já nem sei como me chamo
Talvez algo como crostas, feridas
Ou um misto de desilusões unidas
Erro de Deus, ou só um mero engano

Vou deixar para acabar em outra hora
Este singelo soneto inacabado
Que é feito de vontade de ir embora

Procurar melhor sorte do outro lado
Ir em busca de outra vida, cair fora
E esperar se cumpra inteiro este meu fado

Este poema foi escrito inicialmente a um domingo. Dia em que não costumo usar o ingrediente mais importante para quem tenta escrever poesia; 90% de transpiração. Só com 10% de inspiração, deu isto, um Soneto Inacabado. Terça-feira, já com o aporte de trabalho, acabei-o, escrevi os 11º, 12º e 13º verso.

segunda-feira, dezembro 5

Se eu fosse desilusão


Vou vivendo em contra-mão
Já tenho sonhos de cores
Lambo feridas, esqueço dores
E á tristeza eu digo; Não!

Não me entrego á solidão
Planto amizades e amores
Ninguém me oferecia flores
Se eu fosse desilusão

Tenho conversas gostosas
Pelas sombras dos caminhos
Faço versos, escrevo prosas

Aspiro aromas de vinhos
De quando em vez cheiro rosas
E tento evitar os espinhos

sábado, dezembro 3

Soneto Inacabado I

Trago nos braços um enorme ramo
De rosas de cores várias e garridas
Feito de tantas juras falsas e fingidas
E no peito um esquecido “eu te amo”

Eu até já nem sei como me chamo
Talvez algo como crostas, feridas
Ou um misto de desilusões unidas
Erro de Deus, ou só um mero engano

Vou deixar para acabar em outra hora
Este singelo soneto inacabado
(…)

(…)
(…)
E esperar se cumpra inteiro este meu fado

Este poema foi escrito a um domingo. Dia em que não costumo usar o ingrediente mais importante para quem tenta escrever poesia; 90% de transpiração. Só com 10% de inspiração, deu isto, um Soneto Inacabado.

sexta-feira, dezembro 2

Sonho Verde e Amarelo

Eu trago um sonho comigo
Um sonho verde e amarelo
De imitar meus avós
Em busca de um novo mundo
Em busca do mesmo elo

O sal que trago nas veias e que me chama p’ró mar
É a ânsia dos Gamas e Cabrais,
de um mar imenso, apoucar
Mas meu fado, ao que parece
é ficar na praia, a acenar
não apenas aos que partem
mas aos que estão a chegar
Enquanto me cresce o desejo
de ventos bravos calar, tempestades aplacar
meu sonho é navegar sobre de ventos de feição
Beijar sereias nessas outras praias, de mares tórridos

Desejo ritmos de samba, de forró ou de chorinho
Ouvir Chico, Gal, Bethânia, samba da Vila, Martinho
ver Manaus, Bahia, Olinda,
e Fortaleza - tão linda, terra da índia Iracema
Encontrar em Copacabana
A garota de Ipanema
seguir a Belo Horizonte,
passando por Barbacena
perder-me pelo Sertão,
ser um cavaleiro errante
ser eu também bandeirante
virar Menino do Rio
e provocar arrepio
nas moças belas de lá

Chegar de veleiro ao Rio numa tarde de Janeiro
E cumprir o que o destino me pede
Perder-me nesse país imenso
Em demanda das Gerais


Dedicado á Mára

quinta-feira, dezembro 1

Escrevo o Fado


Na sequência de Fado Património Imaterial da Humanidade, tentei escrever um fado. Não foi fácil “meter” palavras no Fado Menor, foram duas horas bem trabalhosas, mas consegui. Para uma primeira vez, não está mal de todo.

Fado da Dúvida

Eu não sei porque me olhaste
Porque me fitas assim
Desde a hora em que voltaste
Fiquei de todo preso a ti

Quando vejo o teu olhar
De um negro intenso e triste
Nunca deixo de pensar
O que foi que em mim viste

Queremo-nos tanto, tanto
É tão grande este carinho
Que fico desfeito em pranto
Com esse amor que adivinho

Nas nossas noites de encanto
Quando me olhas nos olhos
Não posso entender o quanto
Se ergueram p’ra nós escolhos

Nem sabes como eu lamento
O que é a tortura e a dor
De não termos um momento
P’ra viver o nosso amor

Se por acaso houver hora
P’ra nos podermos amar
O que não te dou agora
Eu te darei a dobrar

Não vais perder p’la demora
Nunca mais te vou deixar