sábado, junho 7

NOVO LIVRO



Aqui vos deixo a capa do meu 3º livro, Crónicas do Planalto. Vai ter o lançamento no dia inaugural da Exposição de Artes e Ofícios, na Junta de Freguesia de Seda, em 26/07/ próximo.
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quarta-feira, junho 4

EXPOSIÇÃO DE ARTES E OFÍCIOS

O trabalho que me propuz fazer para a exposição, está quase pronto.
Ainda está a tempo de surgirem novos poetas, pintores e artesãos.


terça-feira, junho 3

domingo, junho 1

DIA 1 DE JUNHO



Eu sou uma criança, por isso estou muito contente por ser hoje o Dia da Criança. É verdade que este dia devia ser sempre, mas mais vale um dia que nenhum, como os homens coitadinhos que não têm dia nenhum. Dantes, não tinham também dia deles, mas tinham trabalho, hoje todos os dias são Dia de Desempregado, passam o tempo sem ter com que brincar e a ruminar ameaças contra os filhos da Piiii, do governo, mas não passam das ameaças, porque os homens portugueses são mansos como os bois e quando por fim lhes começarem a nascer os cornos, já não terão força anímica, (como o analfabeto do Relvas), para os usar.
É verdade, eu sou uma criança já muito grande, não tenho brinquedos nem nada disso, mas brinco com palavras e ideias e divirto-me a atirar pedras a algumas bestas que conheço. Nada que os incomode, eles como bons portugueses que são, também são mansos e não há pedrada que os afaste da gamela onde refocilam e se por uns momentos se descuidam, há os porcos de outra cor a grunhir pela sua vez.
Mas vamos mudar de assunto. Porque é que eu, mesmo grande, sou criança?
Ora! É muito simples. Eu tenho o que só as crianças têm, uma pediatra, mas a minha é linda de morrer. Tem uns belos olhos polinésios, rasgadinhos e o sorriso mais bonito que já vi. A boca é doce e macia, eu sei isto, porque ela, antigamente beijava-me muita vez e era muito bom.
Agora está triste, já poucas vezes me beija e eu sinto falta.
Tenho vontade de crescer, me tornar um homem desempregado e manso que rumina ameaças, ou se for esperto, tentar apanhar um bom lugar na fila da gamela dos outros e tornar-me porco como eles.
Eles são assim porque em criança não tiveram uma pediatra bonita que lhe desse beijos.

- j a g -

segunda-feira, maio 26

In ARRUMADOR DE PALAVRAS «O Livro»



Não acho este poema triste, pese embora o tema o pareça. Antes pelo contrário, tem ritmo e um final divertido de tragi-comédia.

Rumo ao Fim

Sou filho da pouca sorte
Nasci num dia de azar
Tenho entrevista com a morte
Por mais caminhos que corte
Lá nos vamos encontrar

Eu chego de peito aberto
Ela de foice empunhada
E quanto mais chega perto
Mais sinto que tenho certo
O fim desta caminhada

Não tenham pena de mim
Já estava tudo acertado
Quando ela chega, por fim
Volteia a lâmina e assim
Cai meu corpo decepado

sábado, maio 24

DIVAGANDO



Há palavras que de tanto usar se tornam banais. “Parabéns” é uma delas. Devia haver um outro grau de felicitar alguém por mais um aniversário; o normal, para as pessoas comuns e uma palavra nova, diferente, que até podia ser inventada na hora, para quem se gosta muito.
Por exemplo: Repzigue.
Então, todos os dias se inventavam palavras novas que só tinham valor para duas pessoas, para mais ninguém, mas para elas valeria tudo, porque eram únicas como as pessoas.  
E todas as pessoas tinham que usar uns caderninhos para ir apontando as palavras inventadas e a quem correspondiam, até que elas ganhassem rosto. E os que tivessem caderninhos com mais palavras novas eram os mais ricos, os mais valorizados, por terem mais amigos.
Talvez um dia as palavras banais caíssem em desuso e se pudessem dizer as coisas importantes com palavras únicas.
Até não ser assim eu vou cumprindo o rito anual para as pessoas de quem gosto, de uma outra maneira, como eu quero, divagando ou contando histórias. Tentando fazer-lhes saber que são diferentes e únicas para mim. E merecem ter uma palavra com o rosto delas, que só me façam lembrar delas.

sexta-feira, maio 23

In ARRUMADOR DE PALAVRAS «O Livro»



Este poema foi escrito como resposta a uma amiga. Uma mulher única, que me atura as birras, as inseguranças, me mima quando tenho precisão e me dá colo no pique dos meus medos. Que bom ter um aconchego, sob a luz dos seus lindos olhos tristes.

AUSÊNCIA

Nasce a madrugada nos meus olhos
Já de clarear começa o novo dia.
Lembro uma bela tarde de emoções,
De palavras novas ditas ao ouvido
E doces partilhados boca-a-boca.
           
Uns braços que se apertam sobre nada
A louca ilusão de ser alguém
E um beijo que se nega, sem motivo.