terça-feira, janeiro 8

Quem sou...



Não gosto muito de falar de mim, só o faço quando é mesmo imprescindível. Parece um paradoxo, não é? Quem escreve acaba sempre a falar de quem é, de quem quer ser, ou de quem quer que os outros pensem que ele é. Mas eu prefiro sempre armar-me de um registo burlesco. Talvez como Aleixo, goste de dizer verdades a rir.
Bom! Parece mesmo que vou ter que falar um pouco sobre mim, o que não é de todo agradável.
Não! Não é modéstia, eu não sou modesto. Há até quem me acuse de convencido e vaidoso, epítetos que não me incomodam muito. Mas na verdade, há outros temas que me aliciam mais.
Mas se tem que ser, avancemos, vamos lá falar um pouco.
Começaria parodiando um pouco Camões, com “as verdadeiras minhas são tamanhas, que excedem as sonhadas fabulosas, excedem Rodamante e o vão Rugeiro e Orlando, inda que fora verdadeiro”.
Ahhhhh! Nem eu acredito, quanto mais vocês.
Pronto, vamos lá falar a sério…
Eu sou um tipo com uma vida complicada e umas largas centenas de livros às costas. Aparte isso, sou o mais genuíno de todos os chaparros alentejanos.
Amo este planalto onde o olhar não tem preguiça de se estender, os homens são a princípio desconfiados mas amigos de quem o merece e demonstram o maior atributo dos seres inteligentes, uma imensa capacidade de rir de si mesmo.
Nunca fui patrioteiro, a causa de Olivença não me motiva, acredito piamente que a minha pátria é a língua portuguesa, seja lá onde ela se falar. Mas se valer alguma coisa a noção de Pátria, ou Mátria, a minha é o Alentejo.
Gosto de ler, escrever e pensar. Neste momento leio pouco, para não me influenciar muito, escrevo sempre que posso e penso; porque é impossível parar de o fazer.
Gosto muito mais de escrever em prosa, mas paradoxalmente nos últimos tempos, tenho cedido ao que alguns chamam poesia e eu teimo em catalogar de textos poéticos.
Mas por vezes já me vai sabendo bem, quando me chamam poeta, uma cedência á vaidade.

De mim…
Entrevistas e poemas nos principais jornais da região.
Participação nas coletâneas “Acordando Sonhos” e “Corda Bamba”.
Um livro editado em 2012, “Luar dos Dias”, outro prestes a sair “Arrumador de Palavras”.

- Joaquim António Godinho -

segunda-feira, janeiro 7

IMPERADOR LOUNGE BAR

 Esta apresentação revela a estreia de um novo espaço para a poesia e a música ou outros actos culturais. 
Será sempre no 2º sábado de cada mês, às 17 horas. Uma sala deslumbrante. A poesia merece.
Praça do Marquês de Pombal, nº 156 - PORTO

IMPERADOR LOUNGE BAR e o poeta JORGE VIEIRA,

Convidam V. Exª. Para a Apresentação do Livro de Poemas “ LUAR DOS DIAS “, de Alexandre Mello-Alter. (Joaquim Godinho)

Dia 12 de Janeiro de 2013 - 16 horas.
Declamação de poemas, Dr. Júlio Couto e o poeta Jorge Vieira.
Apresentação feita por Maria Helena Ribeiro.
Convidado Musical : CARLOS ANDRADE que interpretará canções e baladas.
Eu, sim o Joaquim António, vou ter a suprema hora de inaugurar.
 

sábado, janeiro 5

32 - Porque hoje é sábado... «Luar dos Dias»



Um pequeno texto ao sabor do momento, Agosto/2011.

Porque hoje é sábado...

Apetece-me escrever ao vento, sem destino.
Nascem assim as amizades, como que ao sabor do nada.
Uma conversa aqui, outra acolá, nada de importante, só o prazer da descoberta do outro.
Um dia descobrimos que cativámos e fomos cativados, sem dar por isso.
É muito bom ter amigos, principalmente para quem sabe que os amigos, são "a coisa" mais preciosa do mundo.
Quando um dia, por algum motivo, o convívio diário se interrompe, não fica o vazio, como seria de esperar, a amizade continua de outra forma, em silêncio.
Os silêncios são mesmo de ouro, não são?

- j a godinho -

sexta-feira, janeiro 4

quinta-feira, janeiro 3

Crónicas do Planalto IX



Ano Novo

Cá estou! Mudei de ideias e de ano, mas foi contrariado. Já passavam 5 minutos da meia-noite quando me apercebi que ia ficar sozinho. Olhei á volta e constatei que os poucos que me acompanhavam estavam firmes mas hirtos. Possivelmente a vida fugiu-lhes antes das doze badaladas. Como já passei muito tempo sozinho e não gosto, abri a porta e passei. Aqui estou para continuar a viagem, o prolongamento de 2012.
Não vou fazer de oráculo, não sei ler astros ou cartas, nem tenho muito jeito para a dualidade, essa coisa de acertar a 50% é fácil, mas não condiz com o meu feitio.
Como 2012 foi o meu melhor ano, a não ser com uma grande sorte posso aspirar a mais.
Vamos ter Eleições Autárquicas com menos alguns “tachos” desnecessários, mas ou muito me engano e não percebo nada disto, ou as mudanças terão como meta que tudo fique igual.
No governo vai continuar a mesma bicharada, ou haverá mudança para bichos de outra cor. O que como facilmente se percebe, vem a dar no mesmo, fica tudo como dantes no quartel de Abrantes.
A oposição vai continuar a dizer o que sempre disse, e se houver mudanças, o que hoje é dito por uns, sê-lo-á amanhã por outros. Todos sabemos que a especialidade destes nossos políticos de “alterne” é abrir as pernas para que os amigos se sirvam, sem esquecer os “queridos” inimigos, há “bolo” para todos, sempre.
Um amigo de Cavaco será preso, ou talvez não. A nossa Justiça não é só branda com os “filhos de algo”, mas também com os “amigos de alguém”.
A minha vidinha vai ser pouco diferente, vou ter mais mês para menos rendimento, ou vice-versa, nada porque não espere já.

(jag 13/01/01)

quarta-feira, janeiro 2

31 - A um amor ausente «Luar dos Dias»



Uma das minhas primeiras aventuras no soneto, a musa inspiradora não gosta do título, preferia “A um amor presente”. Janeiro/2011.

A um amor ausente

Andava eu destas coisas distraído
Sem cuidar, ter noção, saber sequer
Que lá no fim do mundo uma mulher
Sonhava ter-me um dia por marido.

Após toda uma vida triste e dura
De dias, meses, anos, só de dor
Descobrir ter direito a um amor
Um pedaço de querer e de ternura.

Sabemos não ser raro que aconteça    
O acaso nesta vida nunca pára             
P’ra quem por mera sorte, ou o mereça

Suceder à noite escura a manhã clara.
Mas nunca me passou pela cabeça,
Descobrir ganhar um dia o amor da Mára.

- j a godinho -

Bom Ano

Já devia ter estado aqui ontem, é verdade, mas deu-me a preguicite e achei melhor editar o texto de fim-de-ano.
O blogue precisa de um incremento e vai mesmo ter.
Vou passar a editar aqui alguns trabalhos do Seda & Veludo (Artes Livres), basicamente os contos.
Este ano também vamos ter Eleições Autárquicas e o "crónicas" vai estar disponível como sempre a ficar ao serviço do concelho.
Quem sabe até possa tomar partido.

terça-feira, janeiro 1

Crónicas do Planalto VIII



Ano Velho

Não! Não quero, não insistam! Não vou abrir a porta e passar de ano! Não vejo motivo para mudar só por mudar, quero continuar. Amanhã será 32 de Dezembro, depois 33 e ficamos assim.
Não quero terminar 2012, porque não quero, pronto! Este foi o melhor ano da minha vida, corolário de todos os que o precederam. Fui feliz, realizei-me, ganhei o respeito dos outros e conheci pessoas que me vão acompanhar por muito tempo.
Os meus sonhos consolidaram-se e excederam as minhas melhores espectativas, a realidade suplantou o desejo.
Sabem? Eu antigamente quando olhava á minha volta, ficava triste; a minha vida não tinha seguido os cânones, não segui, contra vontade minha, o rumo dos meus amigos, o considerado normal. Não é fácil para alguém ainda não formado, sentir-se desviado da dita normalidade.
Hoje, situo-me, volto a olhar o meu passado, inventario todo o meu percurso e sinto-me feliz. É verdade que muito deste “contentismo” pode ser levado á pala de vaidade ou do tipo convencido que se diz que eu sou…
Mas o facto é que estou feliz com o rumo que a vida me impôs.
Feliz por não estar a pagar uma casa a prestações, por não ter um carro em 3ª mão e uma penca de filhos desempregados e desinteressados do futuro.
Feliz por não viver com uma mulher feia, gorda e cheia de varizes, cujo único interesse é a vida alheia, ante a sua, uma aridez de sentimentos.
Feliz por não me limitar ao amor animal, com dia e hora marcada. Sempre os mesmos gestos, os mesmos cheiros.
Feliz por amar e ser muito amado e conseguir plantar emoções na imaginação das pessoas com quem me cruzo. Cheirar rosas evitando os espinhos.
Feliz por ter ganho asas, saber sonhar e conseguir encadear os meus sonhos em construções lógicas.
Feliz por eu, sim eu… Ter aprendido o dom de tocar corações.

(jag 12/12/31)