segunda-feira, agosto 16

Serões á janela

Hoje a noite está fresquinha, já não era sem tempo, o Agosto manifesta-se.

Diário Lampião

Benfica 1 - 2 Académica

Golo: Franco Jara

Foi muito mau. O Benfica fez uma primeira parte fraca, com muitos passes falhados. Na segunda sufocou o adversário mas só marcou um golo. Tremenda infelicidade.

O Cosme Machado fez uma arbitragem ao nível da sua categoria. O homem pode ter jeito para tudo, menos para o que faz. Esperemos que quando arbitrar outros não erre ao contrário.

Novas Oportunidades

Globalização II

(continuação)

No final dos anos 70, os economistas começaram a difundir o conceito de globalização, usada para definir um cenário em que as relações de comércio entre os países fossem mais frequentes e facilitadas. Depois, o termo passou a ser usado fora das discussões económicas. Assim, as barreiras comerciais entre os países, começaram a cair, com a diminuição de impostos sobre importações, o fortalecimento de grupos internacionais, e o incentivo do governo de cada país à instalação de empresas estrangeiras nos seus territórios. Tudo culminou com o Acordo de Shenghen.

As facilidades de deslocação acentuaram a ideia de que fica tudo muito perto, potenciado depois pela Internet e pela rapidez e facilidade de difundir informação.

A abertura da economia e a Globalização são processos irreversíveis, que nos atingem no dia-a-dia das formas mais variadas e temos de aprender a conviver com isso, porque existem mudanças positivas para o nosso quotidiano e mudanças que estão tornando a vida de muita gente mais difícil. Um dos efeitos negativos do intercâmbio maior entre os diversos países do mundo, é o desemprego resultante da deslocalização de empresas e afogamento dos mercados por produtos oriundos de países com trabalho quase escravo, a preços muito baixos.

Temos assim um dilema. Produtos do mundo inteiro a baixo preço, mas vamos tendo cada vez menos pessoas com emprego e condições económicas para os adquirir.

Devemos continuar assim, vendo tudo pelo vector capitalista, ou o livre comércio deve restringir-se a mercados onde os factores de produção são respeitados.

Os nossos mercados devem estar abertos a produtos com mão-de-obra escrava, onde os direitos humanos não existem?

quinta-feira, agosto 12

Novas Oportunidades

Globalização I

Globalização, ou mundialização, é o crescimento da interdependência de todos os povos e países da superfície terrestre. Alguns falam em “aldeia global”, pois parece que o planeta está cada vez mais pequeno.

Todos se conhecem, vestem as mesmas roupas, compradas em loja iguais (a preços semelhantes), bebem as mesmas bebidas, vêm os mesmos programas de televisão, sabem as mesmas notícias, á mesma hora, deslocam-se nos mesmos automóveis, nada hoje, (ou quase nada) é restrito a um país.

No século XVI, Portugal lançou as bases da globalização. Foi o primeiro Império Global. Nunca antes um país se tinha estendido pelos cinco continentes. As Carreiras da India, (Barco Negro), faziam que Lisboa tivesse á venda produtos do mundo inteiro. Além dos produtos europeus, podia comprar-se; escravos da Guiné, prata do Uruguai e Argentina, madeiras raras do Brasil, ouro do Cabo, seda e especiarias do Oriente. E havia muitos animais exóticos nunca vistos na Europa. Saramago conta n´A Viagem do Elefante, o espanto do povos europeus á passagem do elefante oferecido ao Arquiduque de Áustria. Sem imaginar, estavam a assistir ao inicio do que veio a ser a “aldeia global”.

(continua)

segunda-feira, agosto 9

Novas Oportunidades

Inovação

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A Inovação faz parte da condição humana e trouxe-nos desde a idade das cavernas até hoje. O espírito inovador está associado á inteligência e é a génese do progresso. É um processo que inclui as actividades técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e que resulta na comercialização de novos (ou melhorados) produtos, ou na primeira utilização de novos (ou melhorados) processos.

Inovação pode ser também definida como fazer mais com menos recursos, por permitir ganhos de eficiência em processos, quer produtivos quer administrativos ou financeiros, quer na prestação de serviços, potenciar e ser motor de competitividade. A inovação quando cria aumentos de competitividade pode ser considerada um factor fundamental no crescimento económico.

No campo laboral os processos de inovação só se tornaram mais prementes após a Revolução Industrial. Até aí os trabalhadores não eram pagos pelo valor acrescentado do seu trabalho. Recebiam uma mera retribuição que lhes permitisse comer o estritamente necessário para ter forças e poder trabalhar no dia seguinte. Quando a retribuição pelo trabalho deixou de ser despiciente, foi preciso aumentar o lucro das actividades e inovou-se. Tentaram adaptar-se novas técnicas de gestão de trabalho e processos novos.

No campo em que sempre me movi; os serviços, por trabalharem com base nas comunicações, teve uma evolução espectacular. Lembro-me de como era o Expediente num escritório nos finais dos anos setenta. Embora já houvesse máquinas eléctricas de calcular, todo o resto das tarefas eram monótonas e tremendamente complicadas. Trabalhava-se com enormes máquinas de escrever. Um dia inteiro a mover o “pente” deixava o braço direito dormente. Quando era preciso fazer dois duplicados, (com papel químico), tinha que se pôr toda a alma em cada tecla para a impressão ficar visível. Passavam-se dias a fazer cheques, cartas de envio, depois esperava-se uma semana ou duas para que o destinatário processasse o recibo e o enviasse pelo correio. Lembro-me de em contabilidade trabalhar com uma grande inovação, A Prancheta Ruff. Permitia processar várias sub-contas ao mesmo tempo com uma só escrituração. Cheguei a fazer com régua e esquadro, folhas de cálculo á minha maneira.

Hoje é tudo muito diferente. Em pouco tempo se fazem pagamentos por transferência bancária e baixam-se imediatamente os comprovativos. Tudo acontece na hora, sem perdas de tempo. Já não se enviam cheques e para qualquer dúvida, trocam-se e-mails.

Os sistemas de contabilidade estão no computador, são inteligentes e consultam-se com um click. Nada de arquivos alfabéticos que nos matavam a paciência quando uma ficha ficava mal arquivada.

Por este andar, depressa virá o tempo em que os trabalhos intelectuais, (sem manipulação de materiais), sejam efectuados em casa, sem espaço físico de trabalho, por pessoas de qualquer parte do planeta. É o fim do emprego tal como o entendemos.

Namoro / Fausto

quinta-feira, agosto 5

Memória do "Crónicas" (02/Ago/2005)

Homenagem á utopia (1929 – 1987)


"Parto da música para o texto. (...) Semeio palavras na música. Não tenho pretensões de dar a estas minhas deambulações pela música qualquer outro rótulo. Faço apenas canções." "Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão, é um homem comprometido. Não "é o produto saído desse cantor que define o compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolve com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele canta". Zeca Afonso

Em terras, em todas as fronteiras, seja bem-vindo quem vier por bem…” Deixaste-nos na madrugada da minha vida, sem me dares tempo de te dizer, da importância que tiveste na minha formação como pessoa. Ficou a tua Obra que podemos ouvir sempre, tão actual, como se tivesse sido escrita amanhã.

Lá onde estás, na memória dos que te amam, continuarás a ser o comandante desarmado da nossa Sierra Maestra.

Para os “Índios da Meia - Praia”, os mais simples de nós, és também uma espécie de Almirante da nossa Utopia Naufragada.

Vamos continuar a ouvir a tua música, e a acreditar que o futuro é possível.

Florindinha

Zé da Horta e Chica Ranheta já tinham seis filhos, mas, aprochegando-se o nascimento do sétimo rebento, havia uma certa borrasca no lar. As seis tentativas anteriores não foram suficientes para realizar o sonho do homem: ser pai de uma menina.


Caseiro na Herdade do Adriano Vesgo, Zé era um tipo casmurro, marcado pela porrada que levou dos quatro irmãos mais velhos, patifes arruaceiros cujo grande divertimento, quando estavam em casa, era cascar no benjamim. Facto que o fazia detestar os filhos machos.


Zé da Horta vivia como um touro prestes a investir. Ao mínimo pretexto, distribuía estalada pela meia-dúzia de catraios ranhosos. Por isso Chica Ranheta nem se espantou quando o marido, com um tom de voz até doce se comparado ao tratamento habitual que dispensava à família, decretou:


- Se for outra “menina de três pernas”, afogo os dois no tanque da horta, sua cadela!


Para sorte da pobre mulher, Zé estava no trabalho quando ela entrou em trabalho de parto. Ao conferir, com a criança ainda nas mãos da comadre que a assistiu, que se tratava de “uma menina com rastilho”, Chica chorou baba e ranho.

(continua)